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Teologia da Mesa: Espiritualidade e alimentação em debate

 

 

Por Bruna de Oliveira* | Outubro 2020

 

 

Nossa sociedade está cada vez mais desconectada do sentido da vida humana dentro do contexto do planeta e de todas as relações sociais que se reintegram em significado com o outro, consigo mesmo e com as compreensões do Sagrado. Este é o plano de fundo para a realização do II Fórum Interdisciplinar do Instituto de ensino e pesquisa Djanira Teologia na Mesa. “Soberania Alimentar: diálogo para uma Teologia da Comida” foi o tema do evento que reuniu pessoas de diferentes partes do país em três dias de partilha e aprendizagens sobre as articulações possíveis entre espiritualidade e alimentação na contemporaneidade.

 

O fórum foi um exemplo de como promover acolhimento e celebração por meio de encontros online. Comida é boa para pensar também e, nesse sentido, da abertura com reflexões buscando inspirar o desenrolar do evento até seu término com um sarau musical a atmosfera do encontro estava com a mesa posta para o debate acerca dos desafios do plantar, colher, cozinhar, comer e nutrir na sociedade contemporânea a luz da Teologia. 

 

A programação contou com três conferências com falas muito interligadas sobre a relevância de compreender que a maneira como a espécie humana vem se relacionando com a natureza é uma expressão da leitura equivocada com que vivemos nossas crenças e exercício de fé cotidiana. A alimentação se coloca neste cenário como um processo de conexão, religando a humanidade não somente a natureza mas as expressões do sagrado. Nesse sentido, o ato de se alimentar não é restrito ao comer, mas envolve a produção, distribuição, comercialização formando diferentes sistemas alimentares que marcam territórios e modos de vida. 

 

O sagrado que se expressa em diferentes religiões e sua articulação com ações individuais e coletivas foram assunto trazidos tanto nas conferências quanto nas salas em que trabalhos científicos foram apresentados por participantes de diferentes matrizes religiosas.

 

“Eu gostei do evento, pois ele saiu da minha zona de conforto. Sou uma pesquisadora da área da Gastronomia e em geral as questões religiosas entram de forma mais lateral. Então foi invertido pra mim as perspectivas e isso foi muito bom”, afirma Cassandra Santos, gastrônoma e professora substituta da Universidade Federal de Pelotas e Centro Universitário da Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul.

 

Também, os conferencistas discorreram sobre a importância de práticas agroecológicas e sustentáveis como caminho para o exercício de fé cotidiana, inclusiva e comunitária, assim como alertaram de que maneira os modos de vida contemporâneos, as estruturas sociais, especialmente as agrárias, contribuem para a degradação do meio ambiente que é a nossa degradação também enquanto espécie. 

 

A Teologia da Comida é área nova no campo científico da Teologia no país, foi um evento oportunizou a aproximação diálogos transdisciplinares, conta Daniela Frozi, coordenadora do Instituto Djanira. “O Teologia da Mesa vem contribuir para o entendimento sobre o direito à alimentação, como um princípio sagrado da promoção da vida humana. A Alimentação em diálogo com o campo da Teologia da Comida ou da Alimentação é uma área em expansão, mas aqui no Brasil pouco conhecida ainda” menciona Daniela, reforçando a importância da realização do fórum.

O reconhecimento de que a humanidade é natureza e que por meio da alimentação (em sua compreensão ampliada, considerando as etapas de produção, distribuição, aquisição e consumo) é possível construir novas relações, sem intolerância religiosa, são ferramentas que fortalecem a soberania alimentar dos povos.

 

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*Bruna de Oliveira é Nutricionista. Mestranda em Ciências Sociais na Unisinos.
Assessora de Comunicação Instituto Djanira. brunacrioula@gmail.com